quinta-feira, 7 de maio de 2015

Pode dar Milho para Hamster?

      Já faz algum tempo que corre solta na internet a informação de que "não pode dar milho para os hamsters", segundo as informações, o milho causa tumores nos hamsters.
      A origem da informação é um estudo sobre o "milho transgênico NK603", o estudo foi realizado pela equipe do professor Gilles-Eric Séralini na Universidade de Caen na França, e teve duração de dois anos, foram estudados 200 ratos e a publicação foi feita pelo jornal "Food and Chemical Toxicology" no dia 19 de setembro de 2012" e logo virou notícia nas mídias do mundo inteiro.
      Segundo o estudo, a quantidade de desenvolvimento de câncer nos ratos alimentados com o NK603, foi de duas a três vezes mais do que os ratos do grupo de controle.



      No entanto o estudo foi rejeitado pelo Alto Conselho de Biotecnologia (ACB) da França. A "ACB" afirmou não ter encontrado uma relação de causa entre os tumores dos ratos e o consumo do milho transgênico, o estudo foi muito criticado, por apresentar "falta de transparência" e por "condução consideradas inadequadas". Não tive acesso ao artigo da Food and Chemical Toxicology mas segundo alguns artigos que li, o estudo apresenta falta de transparência, detalhes estranhos e foi muito criticado pela comunidade cientifica. Em novembro de 2013 o artigo divulgado pelo jornal Food and Chemical Toxicology foi revogado.

      Séralini é conhecido por ser um "militante anti-transgênicos", talvez isso tenha feito ele conduzir o estudo de forma que convenha ao seu espectro ideológico, porém as autoridades acharam importante considerar o alerta de Séralini, e sendo assim, a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), emitiu orientações para conduzir novos estudos de maneira que venham a ser mais "transparentes", "adequados" e "aceitáveis".

      Séralini, simplesmente ignorou a orientação para conduzir novos estudos e em junho de 2014, re-publicou o mesmo estudo em outra revista científica, Séralini se recusa a aceitar que seu estudo foi conduzido de maneira inadequada e também se recusa a fazer novos estudos, alegando que não se curvará a qualquer tipo de opressão...

      Apesar de o estudo de Séralini ter sido considerado inválido, a repercussão continua na internet, pessoas e mais pessoas afirmando que milho causa câncer, essa possibilidade existe sim "para o milho transgênico NK603", mas como o estudo de Séralini foi rejeitado, ainda não há provas, ou seja, ainda é teoria, no mundo da ciência, é muito importante que seja provado, e ser provado, significa que os resultados serão os mesmos, seja lá quem fizer o estudo, o mesmo estudo ainda deve ser reproduzido em vários laboratórios do mundo. Enquanto não saem os resultados, ainda é só teoria.

      É importante ressaltar e deixar claro que o estudo "trata do milho transgênico NK603 e do Roundup" ambos da empresa norte americana Monsanto, não se trata do milho normal, e não se trata dos outros transgênicos, existem muitas outras variedades de milhos transgênicos, e que fique claro, "Não é tudo a mesma coisa", o NK603, foi aprovado recentemente pela CTNBio, quem não quiser confiar no milho transgênico, pode sim eliminar o milho da dieta dos hamsters, mas o alerta também vale para os humanos.

Conclusão:
Até o presente momento (maio de 2015), não há comprovação do estudo feito pelo professor Séralini, estudo esse que foi rejeitado pelas autoridades, e portanto, a hipótese de que o milho transgênico NK603 causa câncer ainda é só teoria, e é importante deixar claro que o estudo é sobre o milho NK603 e o Roundup, sendo assim, não é um alerta para parar de consumir todo e qualquer tipo de milho. Tem gente por aí dizendo que todos os milhos são perigosos e causam câncer, essa informação não confere.

Micotoxina Cancerígena e o Milho

      O milho está sujeito a ação de fungos e o fungo mais perigoso que pode contaminar o milho é o Aspergillus flavus, esse fungo produz uma micotoxina chamada aflatoxina, que é uma toxina muito perigosa e conhecida por ser cancerígena. A aflatoxina também é detectada com frequência em outros alimentos como o amendoim, pistache, figo, noz moscada, queijo, arroz, nozes, e muitos outros cereais, ou seja, não é um perigo exclusivo do milho.


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